quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sobre filhos e infâncias.

Ano recomeçando, férias escolares terminando e a cidade fica com certeza mais alegre, mais movimentada.
E eu fui uma criança atipica. 
Pois amava a escola, não gostava de férias muito extensas e curtia muito estudar para provas fazer trabalhos, era "fominha" por notas e presenças e tudo que estivesse relacionado ao mundo dos livros.
Passaram-se os anos e eu continuei assim. 
Acho até que curtia  mais que minha filha a compra de materiais escolares, pela diversidade de opções que não existiam na minha época de estudante e existem hoje.
Mas tinha um porém, quando eu era criança eu estudava por um período do dia e tinha um outro inteiro para brincar e fazer dever de casa. 
Meus pais, não me colocavam em atividades extra classes, até porque estudei sempre em escola pública e essas não ofereciam essas diferenciações que facilitam muito a vida dos pais.
E também porque minha mãe, era apenas dona de casa, mãe, esposa, então tinha todo tempo do mundo para ficar de olho grande em tudo que acontecia a sua volta.
As crianças de minha época, década de setenta, eram crianças brincantes.
Criavam seus brinquedos e brincadeiras, brincavam nas calçadas, nos vizinhos, nas suas casa, e não em pátios ou plays, era tudo no improviso, era tudo muito saudável e gostoso.
Èramos extremamentes responsáveis com nossas obrigações de estudantes, porque era no final de ano que deveríamos mostrar o resultado final, que era "passar de ano".
E fazíamos isso muito bem, porque tinha o natal e o presente tão querido por nós,  poderia não ser nos dado, se rodassemos.
Tinhamos as tardes inteiras para brincar e fazer temas e nos reuniamos com os amigos para fazermos as duas opções, mesmo que ambos estudássemos em escolas diferentes. Faziamos aquilo de boa vontade estimulados uns pelos outros.
As mães,  não ficavam no nosso encalce, cobrando e exigindo a toda hora e colocando de castigo a todo instante. 
Èramos advertidos e depois, sim, vinha a punição, o castigo.
Mas também nada que no outro dia uma boa brincadeira não apagasse a tarde perdida, de nossa lembrança.
Hoje, os pais trabalham, deixam os filhos nas escolinhas desde que nascem, moram em apartamentos ou cidades muito violentas, colocam as crianças em milhões de atividades extra classes, para que eles, pais,  ganhem  tempo para trabalhar e para que os filhos tenham uma "opção" de lazer e também para prepará-los para o futuro competitivo de hoje.
E acaba que a criança é bombardeada por tudo isso e termina por não ter aquele convivio com os amigos por horas a fio, não usa da criatividade para criar brincadeiras e brinquedos e passa cada vez mais a usar a televisão e o computador.
Quando os pais estão com os filhos ficam cobrando que eles tem de fazer temas, tem de fazer o exercicio de balé, o tema de inglês, melhorar a caligrafia, treinar mais o salto em altura e por aí vai, uma avalanche de cobranças que não sobra tempo para o brincar.
As crianças vão a psicólogos, a psicopedagogos, terapeutas e sofrem de depressão, angustia, insonia, tristeza e milhões de outros males, por conta de tantas cobranças e pela falta de tempo para ser o que são: CRIANÇAS.
E quando crescem, são adultos mal resolvidos, alguns desenvolvem sindrome do pânico, depressão, se tornam pessoas que não sabem interagir com outras, anti-sociais, tudo por conta da cobrança excessiva , falta de interação com crianças sem um monitoramento cem por cento em cima deles, e principalmente a falta do brincar, criar exercitar suas infãncias.
Essa é a minha opinião embasada em tudo que estudei na minha pós e também revendo a minha infãncia e de minha filha, que foram infâncias totalmente diferentes, mas felizes e sem cobranças excessivas.
Então deixo um recado aos pais de hoje, deixem seus filhos "serem seres brincantes", deixem que eles sejam criativos, livres de tantas atividades extra escolares, deixem que eles convivam com outras crianças.
Não fiquem cobrando gastos de tempo e dinheiro com educação e fazendo cobranças de resultados imediatos.
Em fim deixem eles fazerem o trabalho da criança que é  BRINCAR.
O BRINCAR, prepara a criança para a vida. Para se tornar um adulto forte e bem resolvido.
 


http://www.google.com > imagens daqui.

Um comentário:

Mari disse...

Amei o seu post e concordo totalmente com ele. Eu tinha obrigações na minha casa, ajudava minha mãe com os afazeres domésticos, mas brincava muito. A responsabilidade da escola era minha e eu me virava muito bem, mesmo nao sendo fâ da escola, rs.
Tenho tido a chance de dar aos meus filhos um pouco da infancia que eu tive aqui no Canadá e acho que essa é uma das coisas que me fez amar este ´país. Meus filhos fazem varias atividades depois da escola porque com o inverno as pessoas ficam mais dentro de casa e eu quero é ve-los na rua. pelo menos nos esportes eles encontram outras crianças, fazem novos amigos e saem um pouco daqui de dentro, mas sempre que podem vão para a rua brincar, andar de bicicleta, pular corda e inventar suas proprias brincadeiras.
A exemplo da minha mãe, eu tento sempre trazer amiguinhos para brincar aqui e deixo todo mundo livre para explorar os brinquedos e o espaço. Minha casa nunca é organizadinha, super limpa e pronta para receber visitas, mas as crianças adoram vir aqui nesta bagunça, então eu acho que estou no caminho mais ou menos certo.
Qto aos pais que trabalham: eu fico horrorizada com as mães que não trabalham e também não ficam de olho nos filhos. Colocam as crianças em varios esportes e vao pro shopping se distrair, ou largam os filhos na tv/video para nao encherem o saco. O que os pais muitas vezes não entendem é que não importa muito a quantidade de tempo que se fica com um filho, o que realmente importa é a qualidade.
bjs